Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Maioria dos desastres tem relação com a água, alerta ONU
O secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, OMM, Petteri Taalas, alerta que a “esmagadora maioria” dos desastres está relacionada à água.
Nesta quinta-feira, a agência da ONU divulgou um relatório que aponta o avanço do desequilíbrio do ciclo hidrológico, causado pelas mudanças climáticas e pelas atividades humanas.
Segurança hídrica
O estudo destaca que secas e eventos extremos de precipitação estão causando um grande impacto nas vidas e economias. Na avaliação do chefe da OMM, a gestão e o monitoramento devem ser questões centrais das iniciativas de alertas precoces.
No Paquistão, na província de Sindh, pessoas atravessam terras inundadas para chegar às suas casas.
Petteri Taalas adiciona que os glaciares estão “derretendo diante dos nossos olhos”. A situação aumenta os riscos de inundações e ameaça a segurança hídrica de longo prazo de milhões de pessoas.
Ele alerta que cerca de metade do mundo tem experimentado um aumento nos eventos de inundação e um terço do planeta tem sofrido com a seca.
O secretário-geral da OMM explica que a cada grau de aquecimento do clima, a umidade da atmosfera aumenta em 7%.
Essa elevação de temperatura faz com que a atmosfera retenha mais umidade, causando chuvas mais intensas e inundações. No extremo oposto, o calor causa evaporação e secas mais intensas.
Recursos globais
Para o secretário-geral da OMM, o estudo também é um apelo por compartilhamento de dados, que permitam alertas precoces e políticas coordenadas e integradas de gestão da água como parte integrante da ação climática.
Segundo a agência da ONU, existem poucas informações sobre o verdadeiro estado dos recursos de água doce do mundo, o que dificulta o gerenciamento. A recomendação é que aumente o monitoramento e os recursos para o setor.
O estudo divulgado combina contribuições de dezenas de especialistas e complementa o relatório de Estado do Clima Global da OMM, a fim de fornecer informações integradas para os formuladores de políticas.
Atualmente, 3,6 bilhões de pessoas enfrentam acesso inadequado à água por pelo menos um mês por ano. A previsão é esperado de um aumento para mais de 5 bilhões até 2050, de acordo com a ONU Água.
Geleira de montanha que está encolhendo devido ao aumento das temperaturas e à menor queda de neve no distrito de Kargil, na Índia
Outros destaques
O relatório destaca os efeitos do rompimento do ciclo da água. No Brasil, o excesso de chuvas causou deslizamentos e resultaram na morte de 230 pessoas.
No verão de 2022, secas severas afetaram muitas partes da Europa, causando desafios no transporte em rios como o Danúbio e o Reno e interrompendo a produção de eletricidade nuclear na França devido à falta de água para resfriamento.
A cobertura de neve nos Alpes, crucial para alimentar grandes rios como o Reno, Danúbio, Ródano e Pó, permaneceu muito abaixo da média. Os Alpes europeus testemunharam níveis sem precedentes de perda de massa de geleira.
Segundo Taalas, o estudo aponta que as geleiras de montanha suíças, especialmente as alpinas, perderam cerca de 10% por cento de sua massa no ano passado e neste ano, estabelecendo um novo recorde.
Além disso, mais de 50% das áreas de captação global experimentaram desvios das condições normais de descarga dos rios. A maioria dessas áreas estava mais seca do que o normal, enquanto uma porcentagem menor apresentou condições acima ou muito acima do normal.
Produção de alimentos
Outro alerta feito pelo chefe da agência da ONU, é a falta de água para atividades agrícolas, industriais e para a produção de energia hidrelétrica.
Segundo a OMM, mais de 70% da água usada pelos seres humanos é destinada à agricultura e à produção de alimentos, sendo, portanto, absolutamente essencial para a segurança alimentar e nutricional.
Em alguns países, a proporção representa mais de 90% de todas as retiradas de água dos sistemas. A água potável globalmente representa aproximadamente 10% a 12% da água usada para consumo direto ou uso doméstico.
A OMM recomenda melhorias no gerenciamento do recurso, como o uso de tecnologias de irrigação mais eficientes e a escolha consciente das culturas plantadas e do ambiente.
