Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Nações Unidas apoiam esforço regional para resolver crise no Níger
O enviado especial do secretário-geral para África Ocidental e Sahel, Leonardo Simão, disse esperar que não seja preciso um eventual uso de força regional para restaurar a paz após a tomada inconstitucional de poder por militares no Níger.
Nesta quarta-feira, em Bamaco, no Mali, o representante participará de um encontro de líderes dos países vizinhos que deve abordar as crises em andamento.
Negociações
Falando esta terça-feira a jornalistas de Acra, Gana, Leonardo Simão disse que a ONU tem apoiado ações da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, Cedeao, como parte de seu papel.
O enviado explicou que ainda não há envolvimento das Nações Unidas nas negociações em curso para restaurar a ordem democrática no Níger.
Simão comentou ainda o desfecho da cimeira de domingo, na Nigéria, em que líderes da África Ocidental deram um prazo à junta militar para que até o próximo domingo ceda o poder ou enfrente o possível uso da força.
No evento foram impostas sanções financeiras aos responsáveis pela ação.
Simão explicou que a decisão sobre um eventual uso de força, se necessário, não seria da ONU, mas da Cedeao. Ele destacou a posição das Nações Unidas é “valorizar o uso de todos os meios pacíficos”, reconhecendo, no entanto, o direito da entidade regional “de apoiar o uso de outros meios, se necessário”.
Situação de insegurança
Para o enviado, o Níger é uma nação que “não precisa de golpes de Estado”. O quadro atual no país tem potencial de exacerbar a situação de insegurança regional.
Simão defende que o prazo dado para se encontrar uma solução para a paz até o próximo domingo “pode ser suficiente”, se houver boa-fé. Ele destacou que uma decisão de uso da força envolveria toda a região e não países, em particular.
O representante declarou ainda que não teve contatos com a junta militar, ao esclarecer que o processo envolve a organização regional. Para ele, a situação “é muito fluida” e o atual cenário pode favorecer a expansão de ações terroristas.
Falando das operações da ONU e dos riscos de instabilidade na região, Leonardo Simão, disse que os programas humanitários no Níger ainda estavam suspensos devido à insegurança.
