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Parte dos jovens na RD Congo demonstra adversidade à missão de paz da ONU

Parte dos jovens na RD Congo demonstra adversidade à missão de paz da ONU

Source: United Nations – in Portuguese

Headline: Parte dos jovens na RD Congo demonstra adversidade à missão de paz da ONU

“Todos os problemas que temos em relação ao sentimento ‘anti-Monusco’ tiveram origem nos jovens, porque é um público que não vivenciou as dificuldades pelas quais o país passou antes da chegada da Missão”.

A declaração é do general Otávio de Miranda Filho, comandante da Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas na República Democrática do Congo, Monusco, desde março.

General Miranda Filho/Arquivo Pessoal

General Otávio Rodrigues de Miranda, que assume o posto em março, disse à ONU News que presença da equipe de 13 guerreiros da selva tem ajudado as tropas da Missão das Nações Unidas, Monusco, e ao Exército do país africano.

ONU está no país há 24 anos

A presença das Nações Unidas na República Democrática do Congo foi estabelecida em 1999. A partir daí, a operação de paz foi evoluindo e seguindo determinações do Conselho de Segurança. Em 2010, começou a fase de estabilização.

Nesta entrevista à ONU News, em Nova Iorque, o general afirma que o trabalho na RD Congo vai além da questão militar e possui atividades que buscam olhar para as necessidades da população.

“[A Monusco] não tem apenas o componente militar. Ela tem um componente humanitário, de assuntos civis. Ela trabalha em parceria com diversas agências, com variados focos dentro da região do Congo, muito particularmente ali na nossa área de operações, que é o leste do país. Existem várias agências que trabalham com foco nesse público mais jovem. O que nós fazemos são atividades cívico-militares. Nós temos várias atividades com foco nessa juventude, com jogos, com qualificação profissional, justamente para tentar dar a eles uma expectativa melhor de futuro. Uma coisa muito interessante que acontece na missão, e é uma das razões pelas quais a gente foca essas nossas atividades, é que esse público que tem menos de 23 anos, já nasceu sob a presença da Monusco no país”.

Reprodução

O general Otávio de Miranda Filho cita a busca contínua de melhores resultados para aliviar o sofrimento de congoleses

Fake news e atrocidades

Para o general, os jovens da RD Congo questionam a atuação da ONU ao ver que atrocidades e crimes seguem acontecendo. Mas, na avaliação de Miranda Filho, o grupo também é mais “influenciável” pela desinformação. Para ele, esta é uma das principais barreiras da Missão atualmente.

“Um dos principais desafios, e eu tenho certeza que não apenas da Monusco, mas de todas as missões de paz, é o combate a fake news e ao que a gente chama de desinformação. A desinformação é aquela informação falsa, aproveitando um pouco de verdade, você coloca e você dá um outro significado. Tem a questão das redes sociais. Não importa a condição social do país. A juventude do mundo inteiro tem nas mãos um celular. […] Não é um desafio apenas da Organização das Nações Unidas. É um desafio mundial. Isso vem acontecendo em todo o mundo, inclusive no Brasil e em todos os demais países. Essa expansão da capacidade de comunicação por intermédio das redes sociais. Isso é uma guerra que tem que ser travada e que tem que ser combatida com muito profissionalismo”.

Mais de 17 mil pessoas, entre militares e civis, trabalham na Monusco. Com o principal objetivo de proteger civis, o mandato busca abrir oportunidades para diálogo e compromissos e oferecer um ambiente seguro.

Parte dos jovens na RD Congo demonstra adversidade à missão de paz da ONU

Situação na RD Congo

De acordo com o último relatório do secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre a situação dos jovens na nação africana, entre 2020 e 2022, 3,9 mil crianças foram recrutadas por grupos armados.

A equipe especializada na RD Congo confirmou mais de 7,6 mil violações graves contra menores. Embora o número tenha caído, em comparação com o relatório anterior, com menos casos de recrutamento, a ONU destaca que todos os demais crimes subiram. 

Os jovens estão mais expostos a perigos a sua integridade física, inclusive em ataques contra escolas e hospitais, triplicaram desde o último levantamento.

© UNHCR/Hélène Caux

Uma família deslocada vive agora em um acampamento temporário em Plain Savo, na República Democrática do Congo.

Saúde infantil 

Segundo o Banco Mundial, uma criança congolesa, nascida hoje, pode esperar atingir apenas 37% de seu potencial, em comparação com o que seria possível se houvesse acesso à educação e à saúde de qualidade. 

A República Democrática do Congo tem uma das taxas mais altas de crianças com problemas de crescimento na região subsaariana, afetando 42% dos menores de cinco anos. A desnutrição é a causa de quase metade das mortes de crianças nesta faixa etária. 

Ao contrário de outros países africanos, a prevalência desta condição no país não diminuiu nos últimos 20 anos. 

Devido à taxa de fertilidade muito alta, o número de aumentou em 1,5 milhão.

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