Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Unama pede que Afeganistão acabe com castigos corporais e execuções
A Missão das Nações Unidas no Afeganistão, Unama, revela que o Talibã tem aumentado atos como execuções públicas, chibatadas e apedrejamentos desde a tomada do poder. A nova publicação pede o fim de tais práticas.
De acordo com o relatório Punição Corporal e Pena de Morte no Afeganistão (em inglês), lançado esta segunda-feira, o último semestre teve um total de 274 homens, 58 mulheres e dois meninos açoitados publicamente no Afeganistão.
Castigos
A missão política da ONU no país repudia a punição corporal praticada pelas autoridades de facto, no poder desde 15 de agosto de 2021. A ascensão do Talibã foi marcada pelo aumento desses castigos.
Uma menina afegã no distrito de Nawabad em Cabul, Afeganistão.
As punições corporais judiciais são levadas a cabo pelos Tribunais Provinciais, Distritais e de Apelações. A província central de Ghor teve o maior número de casos registrados.
Nas 18 instâncias documentadas, 33 homens e 22 mulheres foram punidos, incluindo duas meninas.
A maioria das punições, tanto para homens quanto para mulheres, estava relacionada à zina, relação sexual fora do casamento, ao adultério ou à “fuga de casa” e todas as mulheres e meninas que foram punidas foram supostamente condenadas por tais crimes.
Moratória
A chefe de direitos humanos da Unama, Fiona Frazer, declarou que o castigo corporal é uma violação da Convenção contra a Tortura e deve parar.
Adbul Wadood (à direita), em sua casa parcialmente danificada em Marja. Seu pai, Sayed Mohammad, junto com sua mãe e cinco irmãos retornaram após seis anos de deslocamento.
Ela também pediu uma moratória imediata das execuções.
As restrições às mulheres têm aumentado de forma gradual. Mulheres e meninas são impedidas de frequentar espaços públicos, como parques, escolas e universidades, de acordo com a interpretação da lei islâmica.
As restrições desencadearam críticas internacionais que aumentam o isolamento do país, que a ONU considera a maior crise humanitária do mundo.
A situação é agravada por questões da economia que a organização tem alertado que podem ter repercussões negativas na região.
