Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Em novo ataque na RD Congo, manifestantes ateiam fogo a comboio da ONU
Um grupo de boinas-azuis da ONU na República Democrática do Congo foi atacado a pedradas e teve o carro que os transportava queimado na província de Kivu Norte, no leste do país africano.
Segundo o porta-voz do secretário-geral, o ataque ocorreu na terça-feira quando o comboio da Missão de Estabilização da ONU no país, Monusco, passava pelo eixo de Kiwanja-Munigi.
Segundo o porta-voz do secretário-geral, o ataque ocorreu na terça-feira quando o comboio da Missão de Estabilização da ONU no país, Monusco, passava pelo eixo de Kiwanja-Munigi.
Monusco reforça segurança no leste do país
Manifestantes exaltados bloquearam o comboio, apedrejaram os boinas-azuis, saquearam o equipamento e por fim queimaram os veículos.
Forças policiais da República Democrática do Congo e da Defesa Nacional tentaram dispersar os manifestantes e um pelotão da Força de Reação Rápida da ONU, enviado ao local, também foi agredido logo na chegada.
O ataque matou três civis e deixou 32 boinas-azuis feridos além de seis motoristas de caminhão que participavam da operação. Todos foram socorridos no hospital da Monusco em Goma.
A missão de paz da ONU reforçou a segurança em todas as suas bases no leste da RD Congo e está mantendo o movimento apenas essencial em Goma, com o aumento da ameaça a boinas-azuis no local.
A representante especial do secretário-geral no país, Bintou Keita, condenou a violência e disse que a ONU continuará em contato com autoridades locais e líderes comunitários para diminuir a tensão.
Atentado contra helicóptero em 5 de fevereiro
A ONU lançou uma investigação conjunta com autoridades congolesas para apurar o incidente. Este já é o segundo ataque a forças de paz esta semana.
O comandante da Monusco, o general brasileiro Marcos de Sá Affonso da Costa falou à ONU News sobre o atentando ao helicóptero da Monusco que matou um boina-azul da África do Sul e deixou outro ferido.
Ouça na íntegra o depoimento do General Affonso da Costa sobre o ataque de 5 de fevereiro.
“Um acontecimento verdadeiramente trágico. Aconteceu no domingo, no último dia 5. Um helicóptero nosso da Unidade de Aviação Sul-Africana fazendo um voo operacional da cidade de Beni até Goma. Esse voo operacional trazia munições para a Brigada de Intervenção que está desdobrada em Goma, e ao passar em cima de uma região chamada Kichanga, ela foi alvejada a partir do solo.
Bom, nesse tiro que entrou pela frente da aeronave, ele atingiu o mecânico de bordo e atingiu também o piloto.
O co-piloto mostrando inclusive uma habilidade extraordinária, ele controlou o helicóptero e fez um voo de aproximadamente 40 km até conseguir fazer o pouso no Aeroporto Internacional de Goma.
O sargento, mecânico de bordo, ainda com vida foi levado ao Hospital Indiano Nível 3, mas infelizmente não resistiu ao ferimento. E o piloto, que recebeu um ferimento no braço, felizmente ele não corre risco de vida, porém se encontra internado no hospital. Então, como resultado dessa ação que pode ser chamada de um crime de guerra, em princípio, ainda definir quem foi o autor e exatamente o armamento que foi utilizado, mas como certeza um ataque deliberado a um helicóptero da força de paz.
E perdemos então este sargento, um herói da aviação sul-africana. E também como tivemos o ferimento no piloto e o copiloto que, como muito habilidade conseguiu fazer o pouso em Goma.
Então é isso, Monica. É isso que esses heróis, peacekeepers, que estão sujeitos a um ato completamente tresloucado, que atinge não só um helicóptero, mas com causa a vidas humanas, de uma tropa que está aqui para defender a população do Congo, está aqui para trazer uma mensagem de paz e a estabilização do país.
Ficamos à disposição para qualquer esclarecimento. E assim que eu tiver novidades, eu passo para você.
O meu respeito ao contingente sul-africano, à Unidade de Aviação, os meus pêsames às famílias e os meus respeitos ao todos os peacekeepers que estão em missão aqui no Congo. Muito obrigado.”
