Conselheira de Guterres para África diz que oceanos são ativo econômico

Source: United Nations – in Portuguese

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Cristina Duarte diz que é preciso mais avanços para preservar os mares; para ela, os países devem fazer compromissos expressivos contra a poluição plástica na Conferência dos Oceanos, marcada para o próximo mês, em Portugal.

A economia dos oceanos, ou economia azul, está sendo debatida como uma das soluções para a crise contra a mudança climática. O tema deve ser destaque na Conferência dos Oceanos, organizada pelas Nações Unidas, que terá lugar em 27 de junho, em Lisboa, Portugal.

Uma das metas é promover a conservação global e uso sustentável do oceano, dos mares e dos recursos marinhos em direção ao desenvolvimento sustentável. O evento é copatrocinado pelo Quênia.

Subsistência 

Falando à ONU News, em Nova Iorque, a conselheira do secretário-geral para a África, Cristina Duarte, disse que há condições de atingir o grande potencial dos oceanos, que apoiam a subsistência de mais de 3 bilhões de pessoas.

“Eu acho que para temos uma economia azul, ou seja, oceanos que estão ao serviço de um desenvolvimento inclusivo, há uma coisa temos que fazer previamente. É  preservar os oceanos. Porque se não preservamos este ativo, este nunca será um ativo do ponto de vista económico. Para falar em economia azul, permita dizer, temos que preservar o azul. O que não está a acontecer.”

© Beqa Adventure Divers

Quase 3 bilhões de pessoas no mundo, a maioria em países em desenvolvimento, tiram seu sustento dos oceanos

De acordo com a ONU, é o oceano que transporta a maior parte do comércio e é alvo de grandes medidas para mitigar as mudanças climáticas. Os benefícios de um uso sustentável podem beneficiar especialmente os países em desenvolvimento.

Estimativas colocam o valor de exportação de bens e serviços pelo oceano em até US$ 2,5 trilhões. Mais de 80% do volume do comércio de mercadorias passa pelo mar, que enfrenta ameaças.

Plásticos 

A também subsecretária-geral declara que a questão da poluição plástica ilustra como os países devem se empenhar de maneira mais forte em questões de conservação.  A par do problema está a abordagem do aumento das emissões de carbono
“Eu vou dar um exemplo com os sacos de plástico. O Bangladesh foi o primeiro país no mundo que baniu os sacos de plástico, em 2002. Há 20 anos. Hoje, tão somente 50% dos países no mundo baniram os sacos de plástico. Destes,  50%, só oito mais ou menos, é que baniram de forma radical. Os outros baniram de forma intermédia, ou seja, nós não estamos a fazer o suficiente para preservar o azul para podermos construir uma economia azul. Portanto, eu acho que aí temos que ser mais incisivos.”

Pnud/Pierre Michel Jean

Expectativa da ONU é que economia dos oceanos cresça para o dobro até 2030

A questão dos plásticos é apenas um exemplo do que se deve abordar no esforço para elevar ao máximo o uso da economia azul. 
Para a subsecretária-geral, Lisboa deve ser um local de compromissos em favor da economia de oceanos que seja resiliente. Os benefícios seriam melhorar a saúde do oceano e áreas como comércio, meios de subsistência e segurança alimentar.

Peixes

“Será que até lá podemos dizer que todos os países do mundo baniram os sacos de plástico? Porque os sacos plásticos, como nós sabemos, mais dia ou menos dia vão parar nos oceanos? É lá onde vão parar: ou com as chuvas, com os rios, com riachos, os ventos…Até à conferência de Lisboa podem todos os países no mundo banir os sacos de plástico, de forma consequente e real, e preservar o azul?”

A degradação dos oceanos está conjugada ao enfraquecimento de economias e ao desgaste do ecossistema marítimo por ação humana. Um exemplo são os cerca de 34% dos estoques de peixes atualmente explorados em níveis biologicamente insustentáveis.

A expectativa da ONU é que a economia dos oceanos cresça para o dobro até 2030, se houver maiores investimentos em setores como a produção de algas marinhas para alimentos, cosméticos e biocombustíveis. Estas medidas podem beneficiar vários países insulares e costeiros.

Ente 2013 e 2018, apenas 1,6% do total da Assistência Oficial ao Desenvolvimento foi direcionado para a economia oceânica. 
Dos US$ 2,9 bilhões atribuídos ao setor por ano, apenas US$ 1,5 bilhão foram investidos para concretizar práticas sustentáveis.

ICS/Craig Nisbet

Oceano é alvo de grandes medidas para mitigar as mudanças climáticas

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