Pobreza deve afetar 90% da população na Ucrânia, afirma Pnud

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Estudo do Programa da ONU para o Desenvolvimento trabalha com uma hipótese de guerra prolongada, que reverterá 18 anos de progressos econômicos e sociais; agência destaca que assistência humanitária precisa ser imediata.  

Uma projeção do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, mostra que “se a guerra na Ucrânia continuar, 90% da população do país enfrentará níveis de pobreza”.  

Com isso, 18 anos de progressos nos campos econômico e social poderão ser revertidos, sendo possível que nos próximos 12 meses, um terço da população passe a viver abaixo da linha da pobreza e 62% caia na pobreza.  

Garantia de ajuda  

Foto: © WFP/Marco Frattini

Milhares de ucranianos buscam segurança na Polônia.

O diretor do Pnud, Achim Steiner, lembrou que “a guerra na Ucrânia está causando um sofrimento inimaginável com perdas de vida e deslocamento de milhões de pessoas”. Ele destaca ser essencial garantir ajuda humanitária os civis. 

Segundo Steiner, a “população que já está traumatizada” sofrerá ainda mais com uma “queda alarmante da economia”, mas ele afirma que ainda há tempo de reverter essa trajetória.   

Em parceria com o governo da Ucrânia, o Pnud trabalha em 24 distritos do país, em mais de 330 cidades.  

Neste momento, a meta da agência é ampliar o apoio à população, focando numa resposta imediata à crise e ajudando o governo a manter as estruturas públicas e os serviços essenciais.  

Perdas de bilhões  

Foto: © UNICEF/Anton Skyba for The Globe and Mail

Mulher dentro do seu apartamento, em prédio destruído em Kyiv, Ucrânia

O Pnud destaca que o governo ucraniano calcula perdas de US$ 100 bilhões em danos a infraestruturas, prédios, rodovias, pontes, escolas e hospitais. Desde que a invasão russa começou, em 24 de fevereiro, 50% dos negócios na Ucrânia fecharam as portas e a outra metade funciona abaixo da capacidade.  

Uma série de medidas a serem tomadas na próxima semana poderá ajudar a mitigar a pobreza durante o conflito. O Pnud calcula que uma operação de emergência de transferência de dinheiro, de US$ 250 milhões por mês, poderá ajudar a cobrir perdas de renda para 2,6 milhões de pessoas.  

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Iêmen precisa de US$ 4,27 bilhões para conter “situação catastrófica”

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Headline: Iêmen precisa de US$ 4,27 bilhões para conter “situação catastrófica”

Mais de 23 milhões de pessoas enfrentam fome, doenças e outras ameaças; número é 13% maior em relação a 2021; falta de financiamento fez agências reduzirem porções de alimentos e encerrar serviços básicos; apenas metade da população vulnerável tem acesso à ajuda humanitária.

O conflito no Iêmen, que se estende por sete anos, empurrou cerca de 19 milhões de pessoas para situação de insegurança alimentar aguda. De acordo com dados das agências da ONU, mais de 23 milhões de iemenitas enfrentam fome, doenças e outros riscos que ameaçam a vida. O número é 13% maior em relação a 2021.

Nesta terça-feira, um evento de alto nível apoiado pelo Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Ocha, em parceria com outras entidades, pretende recolher US$ 4,27 bilhões para ajudar mais de 17 milhões de pessoas. Entre as principais necessidades estão comida, saneamento, saúde, educação e outros serviços básicos.

© WFP/Jonathan Dumont

Meninos em frente a veículo danificado no Iêmen.

Impactos da guerra na Ucrânia

Agências da ONU explicam que a guerra na Ucrânia gera impactos nos níveis de fome no Iêmen, já que eleva os preços dos alimentos e aumenta a lacuna de financiamento, levando a cortes na assistência alimentar.

O diretor executivo do PMA, David Beasley, alerta que a ajuda é fundamental para garantir a continuação da assistência de milhares de famílias no país. Ele afirma que o financiamento para o Iêmen nunca chegou a níveis tão preocupantes.

A agência já foi forçada a reduzir a alimentação de oito milhões de pessoas no início do ano devido à falta de fundos.

Segundo o PMA, cinco milhões de pessoas que correm o risco imediato de cair em condições de fome continuaram a receber a porção completa de alimentos. Mas, a agência alerta que, a menos que novos fundos cheguem, novas reduções serão inevitáveis.

Financiamentos escassos

O chefe humanitário da ONU, Martin Griffiths, afirmou que, apesar de todos os esforços, os auxílios para as pessoas no Iêmen estão acabando.

Nesse cenário, ele afirmou que decisões difíceis precisam ser tomadas. Temendo que a falta de auxílio se torne uma “sentença de morte” para diversos iemenitas, Griffiths explicou que a falta de financiamento gerou cortes fundamentais, como serviços de saúde para grávidas e bebês.

Segundo suas estimativas, sem injeções rápidas de dinheiro, quase 4 milhões de pessoas não terão mais água potável para beber e 1 milhões de mulheres e meninas podem perder o acesso a serviços de saúde reprodutiva e proteção contra violência de gênero.

De acordo com o chefe humanitário, dois terços dos grandes projetos da ONU no Iêmen já foram forçados a reduzir ou fechar devido à falta de fundos..

© WFP/ Saleh Hayyan

Menina carrega tigela de açúcar, distribuída do PMA, dentro do abrigo da família no Iêmen

Acesso

De acordo com o relatório do Ocha, a ajuda humanitária enfrentou desafios significativos na operação. Quase 3 mil incidentes de acesso foram registrados no ano passado, principalmente na forma de e entraves burocráticos.

Em 2022, as agências de ajuda se mostraram engajadas a seguir coordenando e fortalecendo o acesso seguro, desimpedido e baseado em princípios pessoas necessitadas em todo o Iêmen.

Outro dado alarmante indicado pelos escritórios da ONU é que 4,3 milhões de pessoas deslocadas internamente no país. Assim, o Iêmen permaneceu como a quarta maior crise de deslocamento interno do mundo em 2021.

Apenas metade desses iemenitas vivem em locais em que a assistência humanitária é capaz de levar serviços básicos.

Paz

Os representantes da ONU ainda destacaram que o aumento do suporte financeiro pode assegurar que as operações se regularizem. No entanto, além da frente humanitária, são necessários esforços em outras áreas: estabilização da economia e apoio aos serviços básicos como educação e saúde.

Por isso, para eles, a prioridade das ações no país deve ser alcançar a paz para que as pessoas no Iêmen não estejam “condenadas a níveis extremos de pobreza, fome e sofrimento”.

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ONU celebra paridade de gêneros em cargos de liderança

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Secretário-geral fala de sucesso na estratégia para alcançar igualdade na organização; chefe das Nações Unidas enfatiza que ajuda dos Estados-membros e vontade política podem acelerar equilíbrio entre homens e mulheres atuando no secretariado da ONU.

O secretário-geral da ONU anunciou nesta terça-feira que a meta de paridade de gênero nos altos cargos da organização foi atingida dois anos antes do previsto.

António Guterres destacou que com os avanços atuais, o objetivo também deve ser alcançado nos demais cargos do secretariado das Nações Unidas no segundo trimestre de 2027, antes do prazo inicial, previsto para 2028.

UN Photo/Eskinder Debebe

Guterres mencionou que perspectivas e experiência do pessoal feminino enriquecem as ações no campo

Meta inicial 

No entanto, as funcionárias civis ainda são 32% das operações de paz, comparadas aos 68% dos homens.

Falando em evento paralelo da 66ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW, António Guterres argumentou que apesar de sua estratégia para alcançar a equidade de gênero estar funcionando, esse desempenho foi lento e pouco regular em diferentes complexos da ONU.

Em cinco anos, a proporção de mulheres nas categorias profissionais e acima aumentou para mais de 42%, dos anteriores 37%. O aumento anual tem sido constante.

Em missões de paz, o total do pessoal civil de sexo feminino teve uma ligeira melhora em relação aos 28% de 2017. 

Experiências 

Sobre o trabalho no campo, Guterres disse que em alguns locais mulheres são somente 25% de trabalhadores internacionais, uma realidade que a organização pretende mudar. 

Ele mencionou que as perspectivas e a experiência do pessoal feminino enriquecem as ações no campo.

Para ressaltar que é preciso “aumentar e impulsionar esforços para incentivar e atrair mais mulheres para os postos no terreno”, o chefe da ONU destacou que deve haver uma cultura de trabalho e condições de vida favoráveis a todo o pessoal nas missões.

Vontade política

Guterres destacou que esforços para aumentar a presença feminina nas missões de feitos nos últimos anos e o resultado foi a paridade em nível de líderes de operações de paz e adjuntos em 2021.

O secretário-geral explicou que a estratégia lançada em 2018 para a equidade no pessoal uniformizado também está dando resultados. Até o ano passado, as mulheres oficiais e peritas aumentaram de 8% a 20%, e a polícia feminina de 20 a 30%.

António Guterres aponta haver um legado de políticas e preconceitos institucionais que impedem a participação igualitária das mulheres e só pode ser desfeito com ações concretas, recursos dedicados e vontade política.

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Fome e vulnerabilidade agravam situação humanitária no Iêmen 

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Conselho de Segurança abordou situação humanitária necessitando de mais de US$ 4 bilhões; enviado especial falou de  aumento de bombardeios em áreas civis e reuniões para o fim do conflito; agências de auxílio  apresentam dificuldades para alcançar algumas regiões do país.

O Conselho de Segurança se reuniu nesta terça-feira para debater a situação iemenita. O encontro aconteceu às vésperas do evento de alto nível para levantar fundos que conta com o apoio do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Ocha.

O enviado especial da ONU para o Iêmen, Hans Grundberg, e o chefe humanitário das Nações Unidas, Martin Griffiths, falaram aos 15 Estados-membros do órgão sobre a aprofundamento da fome e da vulnerabilidade dos iemenitas. 

Alvos civis

De acordo com o enviado especial, bombardeios em zonas civis causaram morte de civis e a destruição de prédios residenciais. Hans Grundberg ressaltou o número de crianças que foram vítimas de combates. Pelo menos 10 mil menores  morreram ou ficaram feridos nos últimos anos de conflito.

Ocha/Mahmoud Fadel

Uma família no campo de Al Dhale’e para pessoas deslocadas pelo conflito no Iêmen

Ao afirmar que a situação pode ainda se agravar, ele citou o declínio da economia no Iêmen e a falta de abastecimento de fontes de energia. A situação piora o acesso aos serviços básicos no país.

Hans Grundberg também citou as restrições de liberdade de movimento com o fechamento do principal aeroporto do Iêmen.  A situação das mulheres é ainda mais desfavorável porque não podem deixar o país sem estarem acompanhadas de um homem.

O enviado afirmou que está abrindo auscultações  públicas e conduzindo reuniões bilaterais com líderes de partidos para fomentar conversas que levem ao fim dos conflitos. O enviado afirmou que está encorajando as partes de incluírem pelo menos 30% de mulheres em seus grupos partidários.

Ajuda humanitária

Abordando o agravamento da crise humanitária no Iêmen, o chefe humanitário Martin Griffiths expôs aos membros do Conselho de Segurança dados revelando o aprofundamento da fome no país com a falta de fundos.

© PMA/Annabel Symington

Pai e filho caminham por um campo de deslocados internos perto da cidade de Marib, no Iêmen

Sobre evento para levantar financiamento, previsto para quarta-feira, a meta é  mitigar a situação. Ele anunciou que US$ 4,3 bilhões serão necessários para ajudar cerca de 17 milhões de pessoas.

Martin Griffiths afirmou que o encontro será uma oportunidade para mostrar que a comunidade internacional “não está desistindo do Iêmen, mesmo depois de todos esses anos, e com novas crises surgindo”.

Ele ainda destacou que novas avaliações nacionais confirmam que 23,4 milhões de pessoas agora precisam assistência em todo o país. O número representa cerca de três em cada quatro pessoas.

Diálogo e cessar-fogo

Sobre a escalada da violência, Griffiths afirmou que mesmo com vários apelos ao diálogo e ao cessar-fogo os confrontos persistem ao longo quase 50 linhas de frente. 

Foto: © UNHCR/Abdulhakeem Obadi

A Associação Jeel Albena fornece ajuda a deslocados do Iêmen.

O chefe humanitário revelou que mais de 2,5 mil civis foram mortos ou ficaram feridos. Cerca de 300 mil pessoas fugiram de suas casas recentemente, o número de deslocados subiu para 4,3 milhões desde 2015.

Além de agradecer a ajuda dos países com fundos, ele destacou que o acesso às populações vulneráveis também tem sido um desafio para os funcionários das Nações Unidas. Dois deles  seguem presos desde novembro de 2021.

Griffiths terminou sua participação pedindo que o mundo não abandone o Iêmen. Ele afirmou que a ONU e seus membros devem continuar atuando para ajudar milhões de iemenitas que precisam. 

Ocha/Giles Clarke

Idosa leva água para sua tenda em um campo de deslocados no norte do Iêmen, perto da fronteira com a Arábia Saudita

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Uma criança vira refugiada a cada segundo na Ucrânia, afirma Unicef

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Desde que o conflito começou, em 24 de fevereiro, 1,5 milhão de menores de idade fugiram do país; agência da ONU destaca que essas crianças correm risco de se separarem de suas famílias ou de serem vítimas de tráfico e violência sexual.  

Desde 24 de fevereiro, quando começou o conflito na Ucrânia, várias crianças morreram ou ficaram feridas, sendo que 1,5 milhão fugiram do país, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.  

De acordo com o porta-voz da agência, James Elder, a cada minuto, 55 menores de idade deixam o país. 

Risco de tráfico humano  

Foto: Unsplash/andriyko

Vista aérea de Lviv, na Ucrânia.

Em Genebra, Elder, que acaba de retornar da Ucrânia, explicou que desde que a guerra começou, uma criança se tornou refugiada no país por segundo. Ele lembra que esta crise de refugiados é sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial e não está mostrando sinais de diminuição do ritmo.  

O porta-voz do Unicef faz ainda um outro alerta: as crianças ucranianas que chegam em países vizinhos “têm risco significativo de se perderem de suas famílias” ou de serem vítimas de “violência, exploração sexual e tráfico humano”.  

James Elder lembra que esses menores de idade precisam, desesperadamente, de “segurança, estabilidade e serviços de proteção social, especialmente os que estão desacompanhados”.  

Médicos precisam priorizar pacientes   

© Unicef/Andriy Boiko

Recém-nascido em incubadora em uma maternidade que foi transferida para o porão em Kyiv, na Ucrânia

O representante do Unicef lembra que a “saída mais rápida desta catástrofe é o fim da guerra”, imediatamente. Ele fez um apelo ao fim dos ataques em áreas com civis, especialmente porquê “milhões de crianças continuam na Ucrânia.” 

James Elder passou as duas últimas semanas em Lviv, no oeste do país, onde teve a oportunidade de conversar com famílias e crianças que fugiram para salvar suas vidas.  

Ele contou que muitos pediatras lhe disseram que estavam recebendo um grande número de crianças da capital Kyiv, e por isso, tinham que priorizar os trabalhos: as crianças que ganhavam um adesivo verde eram as que podiam receber cuidados mais tarde; adesivo amarelo eram as que precisavam de assistência médica imediata; vermelho era a cor para as crianças em estado crítico e uma etiqueta preta era colocada naquelas que infelizmente não poderiam ser salvas.  

O Unicef continua tendo equipes na Ucrânia e no fim de semana, um outro comboio chegou ao país, com 22 caminhões carregados com 168 toneladas de suprimentos, incluindo kits para partos e cirurgias, material obstétrico, oxigênio, cobertores, roupas de inverno, água, material de higiene e kits de educação infantil.  

As equipes de proteção para as crianças estão sendo ampliadas de nove para 47, que ajudarão com o apoio psicossocial. Mas James Elder é claro: “apesar dos esforços incansáveis desde avós voluntárias até entidades governamentais, passando por agências da ONU, enquanto a guerra continuar, a situação para as crianças da Ucrânia irá apenas piorar.” 

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Agência da ONU para Refugiados recebe mais de US$ 200 milhões do setor privado em prol da Ucrânia

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Ikea, Google, Volkswagen, Adidas e TikTok entre as empresas que repassaram financiamento ao Acnur; total de civis que se tornaram refugiados passa de 2,8 milhões; valor está sendo usado para enviar caminhões com mantimentos e para fornecer assistência em dinheiro para as pessoas que buscam abrigo e comida. 

Graças a uma doação generosa de US$ 200 milhões de várias empresas privadas, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, está conseguindo enviar comboios de caminhões e organizar voos com assistência para refugiados da Ucrânia e civis deslocados dentro do país.  

A agência fornece ainda ajuda em dinheiro para que estas pessoas consigam encontrar abrigo seguro e comprar refeições, além de oferecer apoio psicossocial. Entre as entidades do setor privado que doaram verba ao Acnur nas duas últimas semanas estão: Adidas, Google, TikTok, Fundação Ikea, Google, Sony, Chanel, Prada, Armani, Banco Santander, Toyota e Fujifilm.  

Generosidade  

Foto: © IOM Joe Lowry

Capital da Moldávia, Chisinau, recebe refugiados da Ucrânia.

O Acnur explica que a situação humanitária piora rapidamente na Ucrânia e por isso doações deste tipo são essenciais para os trabalhos no terreno. Mais de 2,8 milhões de pessoas já fugiram da Ucrânia e buscaram refúgio em nações vizinhas como Polônia, Romênia e também em outros países europeus. Em território ucraniano, o total de deslocados internos chega a 2 milhões e o Acnur teme que esse fluxo continue aumentando “se a guerra continuar”.  

A embaixadora da Boa Vontade do Acnur, a atriz Cate Blanchett, declarou que “enquanto todos os olhos do mundo estão na Ucrânia, todos estão solidários com as pessoas que estão fugindo e com as famílias que foram dilaceradas”. Ela agradece ao “setor privado pela enorme generosidade.” 

Por sua vez, o alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, agradeceu às “empresas, fundações e filantropos de todo o mundo pela gentileza e generosidade que mostraram ao povo que está fugindo da Ucrânia”, lembrando que milhões precisam de assistência urgente.  

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Unesco ressalta papel dos matemáticos na solução dos desafios contemporâneos

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Estudo da agência da ONU mostra que esses profissionais são essenciais no combate à Covid-19, na prevenção dos impactos das catástrofes climáticas e na luta contra a pobreza; porém, podem não haver matemáticos suficientes para um mundo tão complexo.  

Um estudo inédito da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, mostra que os governos precisam ter pelo menos um profissional do campo da matemática na sua equipe de conselheiros científicos. 

No documento “Matemática para Ação”, são listados vários estudos de caso sobre a relevância desses profissionais para a solução dos desafios mais complexos do mundo contemporâneo. A expressão “achatar a curva” da transmissão da Covid-19 é apenas um exemplo de como termos matemáticos foram popularizados durante a pandemia.  

Fator Rt  

© OMS/Ploy Phutpheng

Fator Rt e imunidade de rebanho são expressões científicas que se popularizaram com a pandemia.

O Rt, que foca na transmissibilidade do vírus, e “imunidade de rebanho” por meio da vacinação em massa são outros conceitos matemáticos que se tornaram populares.  

Segundo a Unesco, esses métodos são usados, por exemplo, para combater a hesitação de muitas pessoas sobre a vacinação contra a Covid-19 e para a criação de vacinas mais eficientes. 

O relatório destaca ainda a importância dos cálculos matemáticos durante eventos extremos do clima. Com 41% da população global sob risco de enchentes causadas por ciclones tropicais, novas fórmulas matemáticas e algoritmos conseguem seguir o trajeto do ciclone com até uma semana de antecedência. 

Documento é revolucionário  

Em 2019, essa previsão era feita em cinco dias de antecedência e na década de 1970, apenas 36 horas antes. A Unesco explica que com esses avanços, as autoridades locais conseguem um tempo precioso para planejar a saída da população em áreas altamente expostas às cheias.  

Na opinião do presidente da Rede de Academias de Ciências Africanas, Norbert Hounkonnou, o relatório lançado pela agência é um “ferramenta revolucionária de orientação política”. O especialista explica que o estudo da Unesco mostra o papel decisivo de matemáticos na contribuição da solução dos principais desafios da atualidade e para o alcance da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.  

Mais profissionais são necessários  

ONU: UN News/Anna Radomska

Cientista no Instituto da Matemática.

Uma dessas metas é acabar com a pobreza. O documento mostra, por exemplo, como os pesquisadores conseguiram compilar mapas da pobreza em 552 vilarejos no Senegal e identificar áreas que precisavam de mais investimento público, mesmo sem dados do censo. Com cálculos matemáticos e inteligência artificial, foi possível avaliar a dimensão da pobreza em áreas específicas.  

O relatório descreve ainda como modelos matemáticos permitem a exploração de vários cenários possíveis, auxiliando nos processos de decisão. Mas a Unesco alerta: a falta de profissionais da Matemática qualificados, no mundo todo, é uma ameaça para o treinamento de um número suficiente de matemáticos e cientistas que sejam capazes de solucionar os desafios do mundo contemporâneo. 

O estudo foi lançado para marcar o Dia Internacional da Matemática, proclamado pela Unesco em 2019 e celebrado anualmente em 14 de março.  

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Portugal aponta saúde e emprego como prioridade ao abrigar ucranianos

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Ministra portuguesa de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva participa na nova sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher na sede das Nações Unidas; conversa com a ONU News em Nova Iorque destaca expectativas e impactos de crises para o avanço da igualdade de gênero; evento de duas semanas arrancou esta segunda-feira.

No primeiro dia da 66ª. Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, CSW, a ONU News conversou com a Ministra de Estado e da Presidência de Portugal.

Mariana Vieira da Silva afirma que o país ressaltará a importância da inclusão da temática de gênero “nas revoluções” que estão acontecendo, especialmente sobre o clima e transformação digital. O evento teve início esta segunda-feira e termina em 25 de março.

Inclusão

“Se queremos que a transição digital e climática seja um momento de avanço para o mundo, de desenvolvimento, de coesão, então elas têm que ter a preocupação de serem justas, em particular nessa dimensão da igualdade entre homens e mulheres”.

Em uma avaliação sobre o impacto da pandemia de Covid-19 no avanço da igualdade de gênero, Mariana Vieira da Silva observou que grande parte dos empregos ocupados por mulheres sofreram o choque da crise.

“Temos que estar mais vigilantes e enérgicos na ação sobre a desigualdade, em particular as que se relacionam com o mercado de trabalho. Nesses anos, os trabalhos mais precários, com menos direitos, foram muito afetados, e essas foram as primeiras pessoas a ficarem sem trabalho e são majoritariamente ocupados por mulher. Por isso, temos que trabalhar nessa precariedade. Esse combate deve ser uma prioridade pós-pandemia porque a pandemia mostrou que essa falta de direitos se transforma numa intensa desigualdade para as mulheres”

Ucrânia

Falando sobre a recepção de refugiados vindos da Ucrânia, a ministra portuguesa reforçou que o país já recebeu mais de 6 mil refugiados que fogem no conflito no leste europeu. A ministra ressalta que a maioria são mulheres e crianças.

“Muitas pessoas passaram os últimos dias de suas vidas num profundo choque que nós nem podemos imaginar e por isso esse acompanhamento e programas dirigidos às mulheres, a situação de saúde em questão, muitas vezes mulheres grávidas que chegaram nos últimos dias, as consultas que temos que dedicar as crianças que passaram muitas horas em pé para atravessas a fronteira… essa tem sido a preocupação inicial. E depois, iniciar a integração no mercado de trabalho que sabemos que é fundamental para integramos qualquer cidadão”

Portugal abriu as fronteiras e facilitou o acesso à pedidos de proteção temporária para nacionais ucranianos e outros que viviam no país antes do início do conflito, no final de fevereiro. O país também criou um centro de acolhimento para os refugiados, com capacidade para 100 pessoas.

Exemplo

Mariana Vieira da Silva destacou que em seu papel no governo, sente a obrigação de ser exemplo para muitas meninas, mas também meninos, que se acostumaram a ver apenas homens em posições na política.

A representante portuguesa citou que o mundo observa diversas ameaças de recuo aos ganhos dos direitos das mulheres. Por isso considera importante que continue o debate sobre as desigualdades. A ministra afirma que a mensagem que quer deixar é que, embora ainda sejam minoria, as mulheres querem seguir lutando para alcançarem a equidade e devem continuar fazendo seu trabalho bem e com orgulho.

Mariana Vieira da Silva celebrou ainda o retorno das reuniões presenciais do CSW, ressaltando que contribui para o reencontro e o compartilhamento de formas de enfrentamento da crise sanitária e aprofunda as discussões para se alcançar um mundo mais verde.

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Bachelet pede moratória à pena de morte após 81 execuções num dia na Arábia Saudita

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Chefe de direitos humanos receia que possam ter sido cometidos crimes de guerra se não tiverem sido observadas normas judiciais; alta comissária apela à suspensão de execuções e comutação das sentenças aos que se encontram no corredor da morte.

A alta comissária de direitos humanos da ONU condenou esta segunda-feira a execução de 81 pessoas no mesmo dia na Arábia Saudita.

Em nota, emitida em Genebra, Michelle Bachelet pede às autoridades do reino que parem de usar a pena de morte.

Processos

A chefe de direitos humanos adverte que no caso de pessoas terem sido decapitadas após processos judiciais sem garantias de julgamento justo podem ter ocorrido crimes de guerra.

No sábado, a Arábia Saudita disse ter aplicado a pena capital ao grupo por delitos relacionados ao terrorismo.

Foto: ONU News/Daniel Johnson

Alta comissária de direitos humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet.

Bachelet ressalta que todos os executados foram “considerados culpados de cometer vários crimes hediondos”.

Informações postas a circular pela agência oficial saudita alegam ligações ao Estado Islâmico, à al-Qaeda, forças rebeldes huthis do Iêmen ou “outras organizações terroristas”.

Participantes

Pelo menos 41 decapitados eram da minoria xiita e participaram de protestos contra o governo entre 2011 e 2012, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Sete eram cidadãos iemenitas e um sírio.

Bachelet cita dados de monitoramento indicando que alguns dos executados foram condenados à morte “após julgamentos que não atenderam às garantias de julgamento justo e devido processo, e por crimes que não pareciam cumprir o limite de crimes mais graves, conforme exigido pelo direito internacional.”

Outra razão que preocupa a chefe de direitos humanos é que algumas execuções sejam aparentemente ligadas ao conflito armado atualmente em curso em território iemenita.

Thesab

Bachelet pediu comutação de penas para aqueles que estão no corredor da morte

Segundo ela, a aplicação de sentenças de morte após julgamentos que não oferecem as garantias justas é proibida pelos direitos humanos internacionais e pelo direito humanitário “podendo ser considerado um crime de guerra”.

Famílias

O comunicado lança um apelo às autoridades sauditas para que devolvam os corpos dos executados às suas famílias.

A nota aponta que a legislação saudita define o terrorismo de forma “extremamente ampla, incluindo atos não violentos que supostamente ameaçam a unidade nacional ou minam a reputação do Estado”.

A situação representa o risco de “criminalizar pessoas que exercem seus direitos à liberdade de expressão e reunião pacífica”.

Terrorismo

A ONU destaca que a Arábia Saudita está entre os 38 países que implementam a pena de morte.

Bachelet solicitou às autoridades sauditas que “suspendam todas as execuções, estabeleçam imediatamente uma moratória sobre o uso da pena de morte e comutem as sentenças contra os que estão no corredor da morte”.

A alta comissária pediu ainda que as autoridades sauditas alinhem completamente as leis antiterroristas do país aos padrões internacionais.

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Impactos da guerra na Ucrânia já vão além das fronteiras, afirma chefe da ONU

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Conselho de Segurança das Nações Unidas voltou a se reunir para debater sobre conflito ucraniano nesta segunda-feira; secretário-geral das ONU falou à jornalistas e fez apelo por ajuda humanitária; António Guterres agradeceu esforços de mediação para diminuir a vioência.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu novamente nesta segunda-feira para tratar sobre os desdobramentos e escalada da violência na Ucrânia.

O representante da Organização para Segurança e Cooperação na Europa, Osce, falou aos membros do órgão e ressaltou que desde o início dos ataques, o continente voltou a viver o “horror da guerra”, que acreditava já estar no passado.

UN Photo/Mark Garten

O secretário-geral António Guterres informa repórteres sobre a guerra na Ucrânia.

Impactos globais

Do lado de fora do salão, o secretário-geral da ONU, António Guterres, falou à jornalistas sobre os impactos que a agressão militar da Rússia contra o território ucraniano tem vem causando desde o início da violência.

O secretário-geral das Nações Unidas ainda fez um apelo para que os Estados-membros não aumentem gastos com forças militares e esqueçam os investimentos na ajuda humanitária.

Ele afirmou que a ajuda humanitária já chegou há pelo menos 600 mil pessoas e que o Fundo Central de Resposta de Emergências da ONU, Cerf, está enviando mais US$ 40 milhões para ajudar o país enquanto esperam mais financiamento.

No entanto, com a escalada do conflito, Guterres afirmou que o acesso está cada vez mais difícil e o fluxo de refugiados segue crescendo. Já são quase 3 milhões que deixaram o país e 2 milhões que estão deslocados internamente.

O secretário-geral ressaltou que a situação aumenta a vulnerabilidade de mulheres e crianças e cria “oportunidades para predadores e traficantes de pessoas”.

De acordo com o chefe da ONU, a guerra já está afetando a economia de diversos países, mas destacou especialmente as nações em desenvolvimento, que já estavam vulnerabilizados pela crise de saúde com a pandemia de Covid-19.

Guterres lembrou que a Rússia e a Ucrânia são grandes fontes de energia e produtores de alimentos, além de exportarem insumos para agricultura em outros países. Para ele, as disputas na região afetam os mais pobres e “planta sementes para ainda mais instabilidade”.

Exploring the Zone/Philip Grossman

Complexo de Energia Nuclear de Chernobil

Nuclear

O secretário-geral da ONU disse ser “arrepiante” a crescente ameaça nuclear que a guerra tem causado. Ele reforçou que as instalações devem ser preservadas.

Nesta segunda-feira, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, Rafael Mariano Grossi, afirmou que as informações recebidas do governo ucraniano apontavam que uma linha de energia necessária para retomar o fornecimento externo de eletricidade para a Usina Nuclear de Chornobyl foi reestabelecida.

O local, que está controlado pelos russos, ficado quatro dias sem abastecimento.

Mediação

António Guterres ainda agradeceu os esforços de mediação de vários países, citando China, França, Alemanha, Índia, Israel e Turquia

Ao final, respondendo à pergunta de um jornalista sobre o fechamento do espaço aéreo ucraniano, o chefe da ONU explicou que, após análise, apoia a decisão de não seguir com o “dramático pedido” da Ucrânia já que poderia levar ao aumento dos conflitos e elevar a violência para uma escala para global.

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